quarta-feira, 18 de julho de 2007

Esse blog está desativado para sempre, mas obrigado por visitar :)


domingo, 25 de dezembro de 2005

Mano Negra

Calma.

Mano Negra - La rançon du succès (160 kbit, 1:56)

Deixa-me ir com calma. Desde setembro eu já devo até ter desaprendido a escrever, ao menos do jeito quixotesco que desejo.

Primeira marcha. Checklist:

[ ] Postar com frequência
[ ] Reavivar na memória coletiva a existência desse espaço
[ ] Divulgar (aproveitando-se dos bons mp3 blogs em português que andei vendo por aí)
[ ] Mudar o layout (para homenagear Jack Brabham antes que seja tarde)
[ ] Validar XHTML sempre

Só como aquecimento: disparada do xodó Mano Negra,
La rançon du succès me faz querer aprender francês nem que seja por osmose. Não que Puta's Fever seja perfeito, mas é a coisa mais étnica da qual me posso aproximar sem surgirem bolhas por toda minha face. E tem o clipe de animação tosca mais histérico que já vi. Danse la danse!


sexta-feira, 2 de setembro de 2005

(nice dream)

Tô pausando de novo o blog. Fiquei sem acesso rápido à Web. Êita.

Tem quem goste de ler o que eu escrevo, então, PoppyCorn pra vocês. Se quiser trocar mp3, tem sempre uma lista atualizada aqui. E dêem notícias sempre.

Volto em x semanas. Tchau soulseek, tchau galera *chiuf*


terça-feira, 30 de agosto de 2005

Aerovons

Outros tempos: Tom Hartman, um garoto de 17 anos vindo de St. Louis, e beatlemaníaco até a medula, consegue impressionar a Capitol Records com a demo de sua banda, e ganha o direito de gravar imediatamente um álbum nos estúdios da Capitol, subsidiária da EMI nos States. Mas o moleque exige gravar em Abbey Road, e consegue.

Gravar na Abbey Road, em 1969. Com os Beatles na sala ao lado. Burburinhos apostavam que os Aerovons tinham potencial para serem os novos Beatles, e a gravadora jogou alto. Incrivelmente, problemas pessoais dos outros integrantes implodiram a banda ali mesmo na Inglaterra, e após apenas 2 singles lançados, o álbum Resurrection foi abortado. Somente 34 anos depois foi lançado, e há quem me garanta que é sensacional.

Mas... o que será que acometeu Tom Hartman naquelas sessões em Abbey Road? Estupefação? Inveja? Reverência? Ouça a faixa-título Resurrection e dê sua opinião. Quem acertar qual clássico do pop é irmão gêmeo dessa faixa ganha uma honey pie.

Aerovons - Resurrection (128kbit, 3:03)


sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Sufjan Stevens

Nunca fui com a cara de John Gacy, o Palhaço Assassino, um dos mais conhecidos serial killers da história. Talvez por eu não gostar de palhaços, ou talvez pela predileção dele, assim como Jeffrey Dahmer, em só assassinar homens, rapazes ou garotos, o fato é que sou muito mais um Ted Bundy ou um Ed Kemper. O fato do John, mesmo após ter pego 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte, ter se aproveitado da má fama ficando milionário ao pintar quadros de gosto duvidoso dentro da prisão até receber a injeção letal em 1994, torna tudo ainda mais intragável.

Mas então, graças a uma providencial dica do last.fm (agora sim, perfeito), me deparo com um sujeito de nome estranho, Sufjan Stevens (Surfjam não, por favor). Causando rebuliço na cena alternativa americana, Sufjan propõe algo inimaginável: gravar um disco ou um EP em homenagem a cada estado americano. Primeiro foi Michigan, e em 2005 ele chegou a Illinois.

Se fosse aqui no Brasil, teríamos algum tipo de estudo antropológico, com samba de roda, tradições estranhas e uma ou outra chatice que quase sempre tentam nos empurrar como sendo legal só por ser esquecido e estar quase desaparecendo. Mas lá nos States, tem-se outra riqueza: ao chegar no Illinois, Sufjan homenageia o Illinoise de Chicago, as grandes cidades, as personalidades, as lendas, qualquer coisa. É um almanaque de curiosidades acompanhar as letras. Não vou me estender pelo disco, mas vários pontos justificam todo o oba-oba: criatividade, riqueza musical, coros, folk aditivado de primeira...

... narrativas impecáveis, e a voz celestial do sujeito, lembrando em muito o finado Elliott Smith. Mas John Wayne Gacy, Jr., o ápice, é quase inexplicável.

Uma das músicas mais lindas que já ouvi, e é sobre um serial killer.

Prestando atenção na letra, você se assusta e se comove.

Só ouvindo, você se assusta e se comove do mesmo jeito.

Chora fácil.

E é o relato da vida de um serial killer absolutamente cruel. Você passa pela mente das 29 vítimas (não 27), e pela mente do palhaço, e se angustia.

Sufjan exclama o “Oh my God” mais cortapulsante da história.

E para terminar, ainda nos permite entrar na sua mente, de modo que em seguida entremos na nossa própria:

“And in my best behavior
I am really just like him
Look beneath the floor boards
For the secrets I have hid”


Entre 1972 e 1978, John Gacy matou 29 rapazes e garotos, atraídos ou por ofertas de emprego do respeitado corretor de imóveis ou pelas estripulias de um palhaço gordinho e com cara sombria. Escondia os corpos no subsolo de sua casa, tratando-os com limo para que ficassem “preservados”, e foi o mau cheiro dali proveniente que levou os policiais a procurarem pelo palhaço amador.

É meio assustador se comparar a alguém doentio assim, mas não deixa de ser verdade: em maior ou menor escala, todo mundo tem algo cabuloso a esconder dos outros.

Até mesmo Sufjan Stevens, que, aos 2:57 de canção, respira fundo, como se estivesse aliviado pelo fim de algum segredo.

Qual o seu segredo?


Sufjan Stevens - John Wayne Gacy, Jr. (3:21, 192kbit)


quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Franz Ferdinand

Primeira execução em rádio do novo single, Do You Want To. Um, dois:

1. Na primeira audição da Talk do Coldplay (vazou algum tempo antes do álbum), eu falei, "isso é U2 puro". Mas sem alma. Deu no que deu, aquele lixo que é o X & Y.

2. Na primeira audição da DYWT (há poucos minutos atrás), eu falei, "isso é Duran Duran puro". Mas com alma, com graça, com tesão... e nem é tão Duran Duran assim. É por causa do teclado. FF consegue ser único, incrível. Deu no que deu, tô ouvindo pela 8ª vez, e agora tô louco pelo disco. Mesmo com a queda deplorável de qualidade na metade da mp3. Quando achar a versão do CD que já está rolando, coloco aqui, essa vai só pra extravasar a empolgação.

(edit: achei. lucky lucky you're so lucky!).

Franz Ferdinand - Do You Want To (qualidade ótima) (3:38, 220kbit)
Franz Ferdinand - Do You Want To (BBC Radio 1) (3:43, 160kbit)


terça-feira, 16 de agosto de 2005

New Pornographers

O pop pode ser pablum, mas quando é lapidado pelos New Pornographers, quem se importa? Twin Cinema, terceiro álbum dos canadenses, vazou várias semanas antes do ainda não ocorrido lançamento, e está sensacional. O que perdeu em chicletice (Stacked Crooked), ganhou em beleza (Falling Through Your Clothes), e perfeição pop (Sing Me Spanish Techno), como se ainda fosse possível ter mais. Mas Star Bodies é o NP de sempre, mais power do que pop, melodia absolutamente prazerosa, e o refrão mais gostoso do ano. Tava me segurando para não escrever "da década", mas agora já era. Ah Neko Case...

Li algo definitivo: existe um universo paralelo por aí onde as rádios tocam pop de qualidade, e o New Pornographers está em 1º lugar das paradas. Até que a dissonância no 3º verso do refrão dessa minha música deixa claro qual a diferença entre o que é indie e o que não é, ou sobre quando se deixar levar por devaneios indíegenas se torna perigoso para a alma. Essa banda é daqueles segredos bem guardados, mas por pouco tempo, espero!

New Pornographers - Star Bodies (4:07, 192kbit)
(yousendit, excepcionalmente. Se o link estiver expirado, me avisa!)


quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Undertones

A segunda banda mais legal da Irlanda foi responsável direta, junto com os Buzzcocks, por formatar o pop punk do outro lado do Atlântico. Trabalho similar foi produzido antes pelos Ramones do lado de cá, e a ponte entre eles e os Undertones é estreita: garotas, garotas, descerebração, garotas. A voz rascante de Feargal Sharkey adornava uma música totalmente adolescente, porém deliciosa e pegajosa. O grande clássico da banda, “Teenage Kicks”, possui alguns de seus versos gravados na lápide do grande DJ britânico John Peel, que sempre a teve como sua música favorita (e ela é perfeitinha mesmo).

Mas com o passar do tempo, e com todo o experimentalismo do pós-punk sufocando ao redor, os Undertones “evoluiram” um pouquito seu som. It's Going To Happen é esquisita feito o punk dos Stranglers, por exemplo, e mais esquisita ainda se comparada com gemas pop do naipe de “Get Over You”, “Mars Bars” e “Family Entertainment”. Mesmo assim, é tão cantarolável...

Mudando de assunto: o Last.fm englobou de vez o audioscrobbler, e o que o novo site tem de legal tem de lerdo... E o novo player nem funciona direito... Quando voltar ao normal, tem tudo para me agradar mais do que o orkut, hehe. Mas baixa o Undertones ae:

Undertones - It's Going To Happen (3:38, 197kbit)


L’Arc~en~Ciel

Are you feeling fine? XD

(gracias, larc-en-ciel.tk)

L’Arc~en~Ciel – Feeling Fine (4:17, 128kbit)


sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Sunny Day Real Estate

"sometimes you see right through me"

Tô velho demais pra "virar emo", mas...

"words... you're married to that"

... o embate entre o lânguido ser humano e o anjo mais humano que já existiu está entre os momentos mais significativos do rock dos anos 90. Com seu disco de estréia "Diary", o Sunny Day Real Estate, ao mesmo tempo em que criava sua obra-prima, deu origem à monstruosidade dessas bandecas de hc melódico tocando baladinhas insípidas e deixando os pré-adolescentes cada vez mais esquisitos. Mas... cada The Used e cada Dashboard Confessional nasceriam de novo para comporem ao menos uma Song About An Angel.

Informação: o emo morreu em 1994, e ao contrário do punk, onde música e personalidade se misturavam, não se pode dizer o mesmo desse estilo. Mas...

Sunny Day Real Estate - Song About An Angel (6:14, 192kbit)


terça-feira, 2 de agosto de 2005

Ocean Colour Scene

Já queria há tempos falar do Ocean Colour Scene, a mais subestimada das bandas do auge do britpop, mas o estopim foi aceso nesse último domingo: a nova abertura do essencial Alto-Falante tem agora, no lugar do enjoado Tool, uma dos mais incríveis clássicos do OCS: Hundred Mile City High, música de estrada, veloz e latente, e que também serve para homenagear todos os grandes guitarristas da história do rock inglês, graças à manha de Steve Cradock em acertar a mão em qualquer riff que em sua cabeça vier.

Homenagem: o OCS é a melhor banda-tributo que os anos 90 ofereceram, considerando que o Oasis foi esperto o bastante para copiar (e sugar) dos mestres enquanto cultivava sua aura própria. A banda de Simon Fowler busca reviver os grandes momentos dos grandes, Beatles, Jam, Small Faces, Who, com uma reverência extraordinária. O mais legal é dar uma pequena prova de coisas impensáveis: e se o Beatles fosse mod? Ou se dois Pauls, o Weller e o McCartney, pudessem ter coexistido na mesma banda?

Apesar de uma "estréia" bem-sucedida (Moseley Shoals, na verdade o 2º álbum, de 1996, com intensa participação de Paul Weller), o OCS foi ficando à margem do sucesso ao longo da derrocada do britpop, mesmo lançando excelentes singles a rodo. E é de quase uma década atrás que vêm o meu hino: The Day We Caught The Train, mais ou menos o que John Lennon estaria fazendo aos 55 anos, embora nem mesmo os Beatles tenham feito um oh oh la la tão fantástico como o desse refrão.

A sensação ao ouvir será totalmente familiar. É como diz o primeiro verso, “i never saw it as a start, it’s more a change of heart”. Direto ao ponto (r.i.p., Tivone!)

Ocean Colour Scene - Hundred Mile City High (3:59, 192kbit)
Ocean Colour Scene - The Day We Caught The Train (3:11, 192kbit)


quarta-feira, 27 de julho de 2005

Everything But The Girl

O Rio de Janeiro continua lindo, e minha mais recente visita trouxe, depois de anos, aquela lufada musical que sempre recebi por lá. É estranho, mas ouvir rádio no RJ é minha diversão favorita, quando não estou passando calor dos infernos mesmo no inverno. Até a rádio pop de lá é mais legal que as outras. Mas, sobre as novidades:

- Jack Johnson estourou mesmo. Nada mal, será que o disco é todo macio como Sitting, Waiting, Wishing?
- Forfun é outro que tá tocando direto com mais uma história de verão. Ao que parece, muito mais do que CPM 22, Dibob e o chato do emo ponto. Hardcore moleque fugaz.
- Feel Good Inc. (Gorillaz) e Somebody Told Me (Killers) funcionam muito bem no dial!

Sei lá... Bom mesmo é chegar na Zona Norte, e escutar o novo single dos Los Hermanos tocando no FM, como se isso fosse algo natural. A tal da Paradiso FM é uma rádio adulta acima das outras, que não perde (muito) tempo com balada philcollentas, e me fez esquecer da Antena 1 e da Itatiaia!

O grande momento do findisemana: relembrar do pop perfeito do Everything But The Girl e da voz da Tracey Thorn, num clássico esquecido dos anos 80, esquecido até por mim: When All's Well. Uma banda que começou new wave e foi jogando cada vez mais bossa nova e jazz na sua fórmula sempre me deixa ressabiado, ainda mais porque nunca fui muito atento aos poucos hits da banda, como Missing e ... Tá vendo?

When All's Well é de 1985, e seria uma simples canção de amor, não fosse a voz fantástica da feinha da Tracey: 1:33 de música, "we are not true, we are not pure, we are not right", e prepare-se para flutuar por alguns segundos...

Everything But The Girl - When All's Well (3:01, 192kbit)


terça-feira, 26 de julho de 2005

Cachorro Grande

Todo mundo que me conhece se encheu de me ver divulgando o Cachorro Grande desde aquele remoto dia em que baixei Sexperienced no site da banda, e dividi em vários disquetes (!) para levá-la para casa. Há pouco menos de 2 meses pude finalmente vê-los ao vivo, e foi perfeito. A tietagem foi explícita, e me arrependo até hoje de não ter pedido o bottom do The Who que o Beto Bruno usava.

Pista Livre ainda é o disco nacional do ano fácil, cheira a velharia sim, mesmo quando fica emperiquitado feito o Bloc Party, e é bem mais rock que as últimas tentativas das nossas gravadoras. No meio de um monte de música bacana, com cobertura agridoce, vem o melhor de tudo: não era pra machucar, mas as arestas dos violinos sobrenaturais de Interligado são cortantes como adaga no coração. Violinos e violoncelos têm me abduzido ultimamente, mas para essa linda canção me entreguei de alma. Será que é tão difícil pros roqueiros d'agora fazer música bonita assim?

Cachorro Grande - Interligado (03:35, 192kbit)


quarta-feira, 20 de julho de 2005

Zombies

Perdi a mão. Faz mais de um mês que poderia ter, com estilo, comemorado a volta do pop is pablum de seu período de adaptação aos novos ares da cidade quase grande. Período esse nem tão impressionante assim: alguns meses longe, e é como se tudo continuasse igual na terra de ninguém. Seis carros largaram em Indianápolis, e ninguém ligou. Bombas explodiram em London Town, e comoveram tanto quanto as de Mossul. O Paulista foi campeão nacional, e nem vi os gols até hoje.

Os 180° que minha vida guinou parecem até 360°.

Tudo está tão pouco marcante que consegui obter toda a música que sempre quis, e é como se eles sempre estivessem lá na estante. Em 1998, período pré-mp3, projetei levar a vida inteira para comprá-los. Só falta-me morrer cedo.

Preciso voltar a ter sede de novidade. Dicas são bem-vindas (desde que não seja a respeito da bosta do X&Y). Enquanto isso, continuo com minhas velharias.

A melhor das que adquiri contém a 2ª música mais triste de todos os tempos faz pouco. A Rose For Emily faz parte do disco que eu sempre sonhei que o Pet Sounds seria: Odessey & Oracle, dos Zombies. 1969. Se soubessem que seu canto de cisne seria tão belo, não teriam escolhido um nome tão nada a ver no começo da carreira. Dói mais pensar sobre Emily até do que Eleanor Rigby, porque acompanhamos ela e seu jardim até o fim de ambos. Emily nunca foi amada, e termina sem ter sido.

“The roses in her garden fade away
Not one left for her grave”


Estou prestes a dizer que esse é o disco mais bonito que já ouvi. O disco mais bonito que já ouvi, dito.

Zombies – A Rose For Emily (2:19, 128kbit)

Pergunte: por quê o MegaUpload? Respondo: aceita gerenciadores de download, é limpinho, quase atemporal, cabe 500 MB, e te dá 45 segundos para pensar na vida antes de baixar. Por enquanto, me serve bem. Bon appetit!